Resenha #09: Doze Anos de Escravidão

A História


O título “Doze anos de escravidão” diz bastante sobre a história e já nos permite imaginar sobre seu assunto principal.

Solomon Northup, homem negro e livre que vive no Norte dos Estados Unidos é conhecido por suas muitas habilidades, entre elas, a que mais se destaca é o seu dom de tocar violino. Casado e vivendo com a esposa e três filhos, ele se vê obrigado a estar sempre procurando alguma forma de manter sua família.

Quão frequentemente desde esses tempos não me ocorreu a lembrança de seus conselhos paternais, quando eu me encontrava em cabanas de escravos nas regiões distantes e deletérias da Louisiana, amargurando-me com as ferida imerecidas que um senhor desumano me infligira e desejando apenas que o túmulo que cobria meu pai também me protegesse da chibata do opressor” (Pág: 19)

Em uma dessas, ele conhece dois homens que de início parecem amigáveis. Eles tratam Solomon muito bem e pagam pelos seus serviços como músico. No entanto, em uma das noites que está na companhia desses homens, ele sente-se mal e fica desacordado.

Quando volta a si, Solomon se vê diante de uma situação que marcará sua vida para sempre. Ele foi sequestrado e vendido como escravo. Assim, o personagem é levado para o Sul do país, região na qual a escravidão é permitida.

Ao pai todo poderoso de todos nós – do homem livre e do escravo – desabafei as súplicas de um espírito alquebrado, implorando por forças lá de cima a fim de suportar o peso de meus problemas, até que a luz da manhã acordou os que dormiam, recebendo mais um dia de servidão.” (Pág: 65)

Doze anos se passam e Solomon já não acredita mais que voltará a ter a vida que vivia antes, quando algo acontece e ele tem de volta a sua liberdade.

Minha Leitura

A história é linda, intensa e impactante. Nos traz relatos reais da escravidão naquela época, tanto no sistema ao qual ela obedecia como na forma de tratamento dos escravos, que eram tratados como bichos sem direitos, que não tinham garantias de nada. Fica então, um documento histórico de registro daquela época e uma história excepcional, que merece ser apreciada.

Um dos trechos que mais me chocaram, por exemplo, aconteceu no mercado de escravos. Quando uma mãe era separada dos seus dois filhos. Presenciamos um sofrimento palpável que toca nosso coração e traz lágrimas aos nossos olhos. E ainda nessa cena, o comprador quis evitar o sofrimento da escrava, fazendo uma oferta pela mãe e pela filha. Mas a crueldade e o egocentrismo humano são maiores que os sentimentos pelo próximo e o vendedor não permite a venda da criança, visando apenas lucros no futuro.

Não é culpa do proprietário de escravos se ele é cruel; antes, é culpa do sistema no qual ele vive. Ele não consegue se opor a influência do hábito e das relações que o cercam. Ensinado desde a mais tenra idade por tudo o que vê e ouve que a vara foi feita para as costas do escravo, na idade madura não consegue mudar de opinião” (Pág: 166)

São histórias como essa que fazem voltarmos nossos olhos para nós. Muitas vezes nos aborrecemos e damos uma importância desproporcional a algo e não lembramos que pessoas como esses escravos tinham motivos reais e concretos para reclamarem de suas vidas e nem por isso o faziam. Fica então a reflexão, será que as vezes não acabamos sofrendo por algo que não merece realmente tanta atenção?

Impecável. Uma escrita que prende e dinamiza a leitura, e ainda assim consegue trazer as marcas e construções características dos clássicos, com frases rebuscadas e refinadas. Também é perceptível o quanto o fato de o autor estar escrevendo, compartilhando sua própria história dá originalidade a escrita e uma imagem mais próxima de como realmente tudo aconteceu.

É importante também mencionar as comparações e metáforas utilizadas pelo autor, que são de uma maestria invejável, pois realmente condizem bem com a situação narrada e nos permitem uma interpretação melhor do fato apresentado.

A esperança de ser resgatado era então a única luz que jogava algum raio de consolo em meu coração. Ela agora era trêmula, fraca e baixa; outro sopro de desencanto trataria de extingui-la, deixando-me tatear numa escuridão total até o fim da minha vida” (Pág: 190)


Solomon Northup é um personagem que conquista o leitor. Que consegue ser ingênuo e destemido ao mesmo tempo. Um personagem que de início não aceita a condição imposta, que insiste no que ele sabe que é verdade, que ele é livre. Mas o desejo de conservar sua vida e a esperança de reencontrar a família silenciam as ideias de Solomon.

Não se pode deixar de mencionar o fato de o autor sempre procurar atestar a veracidade dos fatos que relata, apresentando datas e documentos que comprovem suas afirmações. Outra característica elogiável é o fato de ele, mesmo nas condições em que se encontrava, não culpar os justos. Mesmo com todo o sofrimento, o personagem tinha a lucidez de elogiar e agradecer aos bons senhores que teve e defendê-los, ou seja, o personagem não se deixou corromper pelo sofrimento e ainda deu méritos a quem de direito.

De forma geral, estamos diante de uma leitura indispensável, tanto por trazer um conhecimento mais amplo a cerca de um período negro da história da humanidade quanto por nos fazer observarmos e revermos nossas próprias ações, desejos e reflexões.

Título: Doze Anos de Escravidão
Autor: Solomon Northup
Editora: Penguin Classics - Companhia das Letras
Páginas: 273
Nota: 5/5

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2 comentários :

  1. Não li o livro e não vi ao filme, mas a história é maravilhosa. Amei sua resenha, quero muito lê-lo!
    Beijos, http://leiturasemfrescuras.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Olá, Mariana!

      Obrigado pela visita e pelo comentário. Leia mesmo, pois é uma história que vale a pena conhecer e se orgulhar de ter lido.

      Um Abraço!

      Excluir

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